Adeus ao colunista Zury Machado

Se ainda existissem bailes de debutantes, soirés em clubes, festas de gala, concursos de misses como antigamente, certamente os eventos estariam cancelados neste fim de semana em Santa Catarina. Em sinal de luto pela morte, ontem, de Zury Machado, 91 anos, consequência de um infarto sofrido na terça-feira.

Também estariam a meio pau bandeiras de prédios públicos, como da Assembleia Legislativa. Ali, trabalhando no Departamento Cerimonial, organizou a posse de nove governadores. E aposentou-se como técnico legislativo.

O segundo de quatro filhos da dona de casa Adalgisa Feminella Machado e do sapateiro Silvério Machado Júnior nasceu em Tijucas, a 40 quilômetros de Florianópolis, em 7 de setembro de 1922. Mas o registro no cartório ocorreu cinco dias depois e com uma curiosidade _ simplesmente com o nome de Zury. Só em junho de 1955 o juiz da comarca averbou o nome correto: Zury Machado.

Por seis décadas ele contou a história da alta sociedade de Santa Catarina. Inclusive para todo o Brasil, através da Rádio Nacional, emissora hegemônica até o surgimento da TV. Catarinense de Tijucas, divida com o amigo Ibrahim Sued o programa Crônica Social. Zury circulava pelas festas regadas a champanhe sem experimentar álcool, charuto ou cachimbos. Ouvia fofocas, mas não as levava para o noticiário. Costumava ensinar: "Em sociedade tudo se sabe, mas nem tudo se conta".




Apenas com o 5º ano do antigo primário, aceitou a carreira de colunista pelo incentivo do amigo Sálvio de Oliveira, o qual escrevia sobre arte e cultura em A Gazeta. Mas foi no jornal O Estado que registrou a época de ouro da sociedade. Foram 2,9 mil colunas semanais, com ênfase em casamentos. Escreveu ainda na Revista da Sociedade (Diário Carioca), O Cruzeiro, Manchete.

Nos anos 70 tornou-se amigo de Zózimo Barroso do Amaral, Hildegard Angel, José Hugo Celisdônio, da Vogue, onde também deixou sua marca. Em setembro de 2012, às vésperas de completar 90 anos, Zury Machado deu uma entrevista para o Diário Catarinense. Estava afastado das atividades ligadas à sociedade.

Mas contou que ainda costumava tomar chá entre amigos. Escolheu para a conversa um anexo da capela Menino Deus, no Hospital de Caridade. Havia certa intimidade com o prédio. Ali, por 25 anos, atuou como voluntário. Sem herdeiros, havia doado seus bens para a instituição. Ali também morreria. Zury Machado falou do que compreendia, como elegância.

Para ele, "sinônimo de estilo, coisa que muitas vezes nasce com a pessoa". Qualidade constante, e que o acompanhou até morrer. O sol se punha tingindo de alaranjado a Ilha onde Zury viveu desde os 15 anos, quando o corpo foi sepultado no Cemitério da Irmandade Nosso Senhor dos Passos, ao lado do Hospital de Caridade, no alto da cidade. A noite caía rapidamente. Desta vez, sem glamour.


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Autor Associação de Colunistas e Jornalistas Sociais e de Mídia Eletrônica de Santa Catarina - ACJOMESC

A Associação de Colunistas e Jornalistas Sociais e de Mídia Eletrônica de Santa Catarina - ACJOMESC, é a entidade oficial dos colunistas e jornalistas sociais que atuam no estado de Santa Catarina, através da mídia impressa e eletrônica.

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